A DIVINACOMÉDIA Dante Alighieri



O tema da união mística com D'us tem sido citado como um perpétuo estar-com-D'us, uma conformidade das duas vontades: humana e divina. Contudo, na Cabalá, com exceção de Moreno (1889-1974), inventor do psicodrama e que tratou do papel de D'us, não se chega ao que se considera "extravagância da união mística": uma identificação entre Criador e Criatura. Na Divina Comédia de Dante Alighieri, toda a viagem do poeta em seus 14.233 versos busca essa união, que no final acaba acontecendo sob a perspectiva do esoterismo cristão, ou seja, mantendo uma distância entre Criador e Criatura. Uma exceção, dentre as tradições religiosas monoteístas, é a dos sufis, abrigados no Islã: seus poemas tratam da união mística, com coincidência, em especial Hallaj (858-922). Este declarou: "Eu sou a Verdade, fui aniquilado, ficou somente Deus" e foi condenado à morte por causa disso; mas, nesse estado, quando o místico está aniquilado, só resta D'us mesmo: se ele tivesse dito "Ele é Deus", a dualidade estaria estabelecida; se dissesse "Tu és Deus e eu sou Teu Servidor" teria se confirmado como humano pretensioso e com existência (identidade), estabelecendo igualmente a dualidade. Ora, Dante, 700 anos atrás, católico numa época em que havia dois papas e, segundo os estudiosos, conhecedor das ciências esotéricas, tinha de tomar cuidado para não cometer sacrilégio cristão e enfrentar dificuldades maiores que as que já havia enfrentado (foi exilado mais de uma vez).
Eu costumo mencionar nas aulas da Academia que o ocidental tem um apego ao seu "R.G.". A minha Academia é de Cabala Prática; a Cabala Teórica, lecionada principalmente nas comunidades, trata das Sefirót, angelologia, estudo de "O Livro do Esplendor" e praticamente toda a gama de textos publicados. Nesta página eu indico um livro sobre Dante, anunciado como um verdadeiro curso de Tarô e outras ciências antigas —o que de fato é—, cujo método é cabalista e por isso mesmo serve para quem quiser estudar o que não é tratado em minha Academia. Atenção estudantes da Academia! Este livro não faz parte dos cursos, por ser a Academia de Cabala Prática; portanto, qualquer assunto ligado a esta página do site deverá ser tratado por e-mail. O fato de eu recomendar a leitura desse livro faz parte da obrigação de todo professor de Cabala.
--Jatalon, magister.
Se vc desconhece a trama da história contada na Divina Comédia, consulte o site premiado www.stelle.com.br/pt/index_intro.html. A tradução brasileira durou anos, passou de pai para filho. Para baixar a obra completa, com rima, utilize o link abaixo, do computador do governo brasileiro:
http://www.dominiopublico.gov.br (encontre o link conforme a seguinte captura que tirei da página)
Dante Alighieri é o patrono da língua italiana. Para consulta em italiano, acesse Dante On Line:
http://www.danteonline.it
Edição digital, em italiano:
www.liberliber.it

Chaves para a Divina Comédia

"Aqui, você encontrará um verdadeiro curso de Numerologia Sagrada, de Tarô, de Alquimia e de Esoterismo Cristão", diz a 4ª. capa do livro "Dante, o Grande Iniciado: uma mensagem para os tempos futuros".

 orelhas do livro  link para compra (Editora Madras)capa do livro

Meu comentário (nesta cor) em cima do índice publicado na página de release da editora , com um detalhe: até o fechamento desta edição (publicação neste site), tal índice cobria até a página 473, enquanto o livro tem 624 páginas. Acrescentarei excertos para fazer algum comentário e tb omitirei algumas entradas do índice, deixando as mais interessantes.
Prefácio 17
por Henri Blanquart, tradução de Fulvio Lubisco
A Comédia —que foi intitulada com pertinência a Divina Comédia— pode pretender oferecer a todos a possibilidade de seguir esse caminho em busca da Luz e que conduz ao que na cristandade é chamado de "Iluminação". No tempo de Sócrates e de seu discípulo Platão, essa busca pela Luz era denominada "Estado de Sabedoria"; no Japão é chamada de "Satori" e, nas Índias, "Realizar Deus".
Lendo Robert Bonnell, podemos perceber (…) que a estrutura numerológica da Divina Comédia e de seus 14.233 versos (!!) é de um rigor semelhante àquele do mundo. Essa é a razão pela qual Pitágoras fazia uso da palavra "Cosmos" (a ordem, em grego). De fato, sob um aparente caos, o Número estrutura o menor acontecimento, afirmação que os racionalistas não podem apreender nem compreender, pois eles se encontram limitados (porque se limitam voluntariamente) ao mental (à "razão racional") e sem capacidade de discernir as causas profundas que se ocultam por trás das aparências.   Tb eu gostaria de comentar aqui sobre as bases racionais da matemática, que fazem desta uma ciência lógica e precisa, e, conforme abordo em aula, é preciso pensar no questionamento entre os matemáticos intuicionistas (Weil, por exemplo) e os formalistas, no teorema da incompletude de Gödel, na frase de Marcel Boll "não teria havido um engano colossal?" etc. Eu somente gostaria de enfatizar um detalhe como exemplo: Dante escreve que o rio Letes —que todos conhecem— e o rio Eunoé —que Dante imagina— têm a mesma fonte. Parece-me evidente que aqui o poeta dá o resultado de sua própria investigação (…) o que leva Robert Bonnell a escrever: "(…) a alma extrai da mesma fonte a faculdade do esquecimento dos erros passados e aquela da memória de suas 'boas ações' (…)". A decodificação dos nomes empregados na Divina Comédia já constava na edição brasileira digital de domínio público. Por exemplo, na nota 130 ao final do Canto 28 do Purgatório, o primeiro rio é "Letes, o rio do esquecimento", enquanto o segundo (nota 131) é "Eunoé, o rio da boa recordação". A única informação que Blanquart dá aqui é sobre a "mesma fonte", no que concordo. E quem observar a minha numeração em algarismos arábicos em lugar dos tradicionais romanos: desculpe-me quem for editor(a), mas quem me conhece sabe que acompanho os anos de redação no jornal da grande imprensa, pois, algarismos romanos, dificilmente alguém da nova geração é capaz de os traduzir! Ora, essa é uma das práticas fundamentais do Xamanismo: a eliminação das partes negativas da memória cármica e a afirmação de aspectos positivos que "asseguram então o acesso à bem-aventurança". Nós (Blanquart, o prefaciador) lhe desejamos (ao livro) o êxito que ele merece! Eu tb! :) e a vc, que fizer uso dele.
Em Destaque   21
"Conhece o que está diante de ti e o que está oculto te será revelado; pois nada há de oculto que não será manifestado." Jesus, in Evangelho Segundo Tomé.
"O voi che avete gl'inteletti sani, / Mirate la dottrina che s'asconde / Sotto il velame delli versi strani!"
"Ó vós que tendes a sã inteligência, / Observai a doutrina que se esconde / Sob o véu dos versos estranhos!" Dante.

Versão brasileira do domínio público, carta de Dante: “O sentido desta obra não é simples; ao contrário ela é “polisensa”, pois outro é o sentido literal, outro aquele das coisas significadas”.
V. brasileira, in Purgatório, Canto 8, versos 19-21: Leitor, tem da alma os olhos afiados / Para os véus da verdade penetrares: Fácil é, tão sutis são, tão delgados.
Prólogo - Verdadeira Riqueza ou Delírio Interpretativo? 23
Introdução - Sob o Signo do Setenário e das Grandes Tradições 25
Sete eixos de pensamento: 26
As sete etapas de nosso percurso 28
Capítulo I
O "Tohu-bohu" de um Destino em Cinco Idades
Tohu = caos, ou mundo do caos (universo em formação)
1 - A Idade da Vida Nova 34
Uma identidade premonitória e um verdadeiro plano de vida 34
Os Arcanos Maiores do Destino 40
O Nascimento 40
O Batismo 42
O Diminutivo da Posteridade: Dante 42
Último canto do Inferno:
Brilhando no céu, através de uma brecha redonda; / Depois fomos para fora, perantes as estrelas.
Versão brasileira do domínio público: Por circular aberta divisamos: / Saindo a ver tornamos as estrelas.
Último canto do Purgatório:
De folhagem nova renovada: / Puro e pronto para subir até as estrelas.
V. brasileira: Puro saí das águas consagradas / Pronto a me alar às lúcidas estrelas.
Último canto do Paraíso:
Como uma roda de impulso igual, amor / Que rege o Sol e as Estrelas.
V. brasileira: Qual roda, que ao motor pronta obedece, / Volvia o Amor, que move sol e estrelas.
Bonnell comenta as estrelas, mas eu faço lembrar aqui o Caminho de Santiago de Compostela (=o caminho das estrelas), conforme tratado em aula de K1 (primeiro grau).

O Nome Completo: Durante 43
O Nome de Família: Alighieri 43
Beatriz e Carl Gustav Jung 46
Primeiro Canto, Paraíso, versos 103-108: E começou: "entre todas as coisas / Criadas, reina uma ordem e é a forma / Que o Universo é feito semelhante a Deus. / Nessa consonância, as criaturas superiores / Podem ver os sinais do bem, finalidade eterna / Para a qual tendem as leis que eu preservo.
V. brasileira: — “Conservam” — respondeu-me — “ordem constante / As cousas entre si: esta é a figura / Que o universo ao Senhor faz semelhante. / “Ali vê cada uma alta criatura / Do Poder Sumo, bem ao claro, o selo, / Alvo sublime, que essa lei procura.
Ibidem, canto 30, versos 38-42 e 52-54: ela diz: "Aqui estamos fora da esfera / maior, no céu da pura claridade; / claridade espiritual e de amor pleno; / amor de todo bem verdadeiro, pleno de regozijo; / regozijo que transcende toda doçura. (…) O amor sem fim que apazigua este céu / De uma tal saúde seus filhos acolhe / Para dispor a chama a suas tochas".
V. brasileira: — “Ao céu que é pura luz” — disse — “ao presente / Alçamo-nos da esfera mais vultosa, / “Luz intelectual, de amor ardente, / Amor do sumo bem, que enche a alegria; / Alegria em dulçores transcendente. (…) — “Sempre o Amor, que este céu tanto extasia, / Por ser o círio à flama aparelhado, / Este saudar a quem recebe envia.”
2 - A Idade do Comprometimento 49
Os mestres a pensar incontornáveis: Platão, Aristóteles, São Tomás de Aquino, São Francisco de Assis, São Domingos e Santo Agostinho 49
Platão 50
A Teoria das idéias 50
Trata-se do "fecho da abóbada" do pensamento platônico. É também a chave para se ler A República. Escreve Platão: O homem tem beleza, tem bondade, mas ele não é a beleza, nem a bondade.
A Alma 51
Deus e o Mundo 51
Paraíso, Canto 33, 136-138: (praticamente no final da Divina Comédia) Assim era eu nessa visão nova: / enxergar queria como a imagem ao círculo / pôde juntar-se e como localizá-lo;
V. brasileira: Assim eu ante a nova visão pura / Ver anelara como a image’ humana / Ao círculo se adapta e ali perdura.
Giuseppe Vandelli, um dos mais brilhantes comentaristas italianos da Divina Commedia determina o sentido um tanto "hermético", ou seja, como a natureza humana, finita, e a natureza divina, infinita, podem no Cristo formar um todo.

Aristóteles 53
Abelardo 56
São Tomás de Aquino e seus companheiros no Paraíso Dantesco 57
São Francisco de Assis, São Domingos e os sábios no Paraíso 60
Santo Agostinho 63
As afinidades eletivas: Boécio, Ovídio, Cícero e Joaquim de Flore 67
Virgílio inspirador de Dante 80
As vibrações de um nome 82
Nascido sob o signo de Libra 84
O Cavaleiro Guelfo Branco 84
A morte de Beatriz 87
Bonnell cita um trecho do livro de Elisabeth Haich, Sagesse du Tarot, les vingt-deux niveaux de conscience de l'être humain, Lausanne, 1983 (Sabedoria do Tarô: os vinte e dois níveis de consciência do ser humano), para explicar o papel de Beatriz na Divina Comédia, face ao arcano da Imperatriz do Tarô (número 3 = morte de Beatriz): "O homem compreende que o Céu, a Terra e o Inferno correspondem a três estados de consciência e que, segundo o nível com o qual se identifica, ele será feliz ou infeliz. Caso ele se identifique com o seu "eu" real, com o seu espírito, e busque as alegrias espirituais, será feliz no Céu. Na Terra, ele vive alegrias e penas, mas tudo é passageiro. Caso ele se identifique com os seus instintos, tornando-se escravo de seu corpo, ele se perde, desdobra-se e acaba escolhendo o inferno. Nessa escala (trata-se do iniciado diante da Imperatriz), o homem compreende a natureza, a rainha, e tenta colocar em prática as verdades assimiladas." De fato, Beatriz, em sua dimensão mítica, é para o poeta essa Imperatriz. Ela é o aspecto feminino da Divindade…
A Lisetta, a Gentucca, a Pietra, a Gemma 89
O Casamento, os Donati e a Vita Nova 91
A Magistratura Suprema 93
3 - A idade das Provações 95
A excomunhão de Florença, a Branca 95
Verona, fugidia terra de asilo 98
Andanças e Eminência parda 98
A epístola firme e definitiva 100
Os reencontros paternos e o novo Protetor 101
4 - A Idade da Glória Tardia 101
Sábio, poeta, teólogo, as múltiplas vias da Fama 101
Um juízo de Nietzsche parece bem apropriado para essa fase tardia de reviravolta do destino: Uma alma rica e poderosa não somente triunfa sobre suas perdas dolorosas, até mesmo temíveis: ela emerge desses infernos dotada de uma plenitude e de uma força maiores do que antes, e mais adiantada na beatitude do amor. Acredito que, quem quer que tenha adivinhado alguma coisa das condições mais ocultas de todo aumento de amor, compreenderá Dante, que escreve na porta de seu Inferno: também fui criado por Amor. Bonnell deixa de citar a fonte (livro de Nietzsche); por favor, quem souber da fonte entre em contato comigo. Nietzsche está se referindo ao verso 5 em diante do terceiro Canto do Inferno: "Formado fui por divinal possança, / Sabedoria suma e amor supremo. / No existir, ser nenhum a mim se avança, / Não sendo eterno, e eu eternal perduro: / Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança!” (V. brasileira). Este último verso, de número 9, é o mais famoso, porque estava escrito em letreiro sobre a porta do Inferno.
5 - Morte e Renascimento 103
A Noite de 13 para 14 de setembro de 1321 103
Ousado e por isso mesmo respeitável o autor, Bonnell, por citar, nesse capítulo, outro estudioso de Dante, Paul Alexis Ladame, assim: No caminho de volta a Ravenna, o poeta sofreu o assalto das apavorantes condições climáticas e acabou contraindo malária. Ladame lembra com justiça o sentido da palavra "mal ária": "maus ares", "ar envenenado"… E o autor reporta um episódio de certo humor. Não podemos deixar de contá-lo. Ele escreve: Em Ravenna, há alguns anos, enquanto admirava o monumento erigido em memória de Dante, um monge —um Espiritual, evidentemente— que se encontrava ao meu lado, murmurou: Ele fez frente aos gigantes deste mundo e foi um mosquito que o matou! Interessante observar que o título do livro de Ladame é: Dante prophète d'un monde uni (Paris, 1996), ou seja, "Dante, Profeta de um mundo unido".
Uma série de números eloqüentes 103
No número reside a ordem essencial. (Pitágoras).
Do 13 ao 14: Morte e Renascimento 104
Número 9: Revisão acelerada de uma vida 105
(Número nove:) Mas esse estado de realização não é uma realização completada.
1321: o ano-chave da realização do Destino 106
Número 7: Do ano universal para o destino individual 108
Impressionante é a visão de seus contemporâneos que o apontam e o designam como aquele que visitou o Inferno, o Purgatório e o Paraíso e de lá retornou. Não só os contemporâneos, quem quer que leia a obra de Dante dirá o mesmo. E não só Dante, quem quer que já esteve lá, seja esse lá o que for!
Um ciclo de existência sob o signo da Grande Obra 110
Tudo tem forma porque tudo tem número 111
L'amor che move il sole e l'altre stelle (último verso, no original italiano).
Os Despojos de Dante em episódios 112
A Glória Póstuma 113

Capítulo II As Nove Obras... Testemunhas de uma Busca Espiritual Irresistivelmente Orientada
As Nove obras do Eremita 115
A forma caligráfica da letra Têt (nona letra do alfabeto hebraico) lembra um receptáculo, uma taça, aberta à fecundação pelo espírito divino.
O hino de Dante à glória do nome 139
Em vez de "do nome", o intertítulo deveria dizer "glória de dar um nome".
Beatriz e o número 9, no texto 140
Pelo esclarecimento da Cabala e sempre nessa mesma perspectiva do Hermetismo Cristão, escutemos Charles Rafaël Payeur a propósito desse número: Ele simboliza a perfeição da criação e um estado de realização que os cabalistas denominam de "realização feminina", pelo fato de que ela manifesta um estado de abertura e nunca uma clausura em si. Observei que toda vez que Bonnell tem de lançar mão de um segredo dado pela Cabala, cita junto o Hermetismo Cristão: a não-religião parece provocar Bonnell a declarar sua religião. Aqui, citou Payeur, "La Kabbale et l'Arbre de Vie" (Canadá, Quebec, 1996), ou seja, A Cabala e a Árvore da vida.
O Primeiro Motor, a essência e o raio divino 183
Aqui Bonnell menciona que Dante cita o "Salmo 138" numa de suas cartas. Consultando o Tehilim (livro dos Salmos), verifico que o Salmo em realidade é o de número 139 —aliás, um dos salmos mais mencionados pelos professores de Cabala Teórica, porque trata da (im)possibilidade de alguém se esconder de D'us. Essas diferenças de numeração, por motivos religiosos, já me desgostavam quando escrevi meu livro espanhol (ainda inédito por ser ainda secreto). Nessa mesma seção, a diagramação da editora causa confusão (talvez o original francês já contivesse essa confusão): ela dá a entender que o trecho que coloquei acima, sobre a p.21, é de autoria de Bonnell, quando aqui já se sabe que ele é de uma carta de Dante, aliás, como o próprio Bonnell em seguida vai declarar.
Capítulo III - A Viagem Iniciática e Filiação Espiritual 199
Capítulo IV - O Número
Preâmbulo Etimológico a respeito de "Puthagoras" 218
Okay, bem conduzida a análise da etimologia do nome Pitágoras —em grego. Bonnell chama Pitágoras de "mistério vivente" —de fato, em minha Academia, cuja base é a Cabala Pitagórica, o próprio nome de Pitágoras é um mistério: se ensina que Pitágoras é uma espécie de novo nome (e não o de nascimento) e, ao invés de grego, sua etimologia é indiana (Pita + guru).
Da etimologia à Numerologia sagrada 219
A Filiação Pitagórica 221
Bonnell cita Louis Philippe May, que escreveu À la découverte de la Divine Comédie, Dante et la mystique dês nombres (Paris, 1968), ou seja, "Dante e a mística dos nomes ao se decifrar a Divina Comédia":  (May) lembra que Dante se afirma como neopitagórico, ao respeitar a regra imperiosa e famosa do "silêncio". (…)A filiação é manifesta. Por exemplo, a palavra "Stelle", estrelas, termina cada parte da Divina Comédia. Esses versos já foram aqui colocados (mais acima). Esse intertítulo me faz lembrar a filiação pitagórica que salvou a vida de Platão, quando passou pelo mau momento de ser vendido como escravo (e, graças ao sinal pitagórico, um outro pitagórico o comprou para o libertar). Dá para imaginar o mundo sem Platão, discípulo indireto de Pitágoras?
515 e 666, entre Profecias 236
A profecia de Virgílio 237
A profecia de Ciacco 238
A profecia de Farinata 239
A profecia de Brunetto Latini 239
A profecia do papa Nicolau III 240
A profecia do "Quinhentos e Dez e Cinco" 240
Um resumo dos 9 números maiores 241
Os Números em sua forma ordenada ou a Árvore da Vida 243
"O que significa dar um nome": Beatriz, Bem-aventurança, Virgílio, Bernardo... 245
A Unidade 264
A Dualidade 265
O Ternário 266
O Quaternário 268
O Quinário 269
O Senário 270
O Setenário 271
O Octonário 273
O Nonário 275
A Alquimia dos Números, a Roda do Destino e o Amor 284
A Divina Comédia termina no 14.233°. verso que, pela redução teosófica (nome que Bonnell dá à redução da aritmologia, ou, simplesmente, redução aritmética para a numerologia), resulta no 4 pelo 13(…) A 13ª. letra hebraica, Mem, representa, como letra de natureza matricial (ele quer dizer letra mãe: no alfabeto hebraico, além do valor numérico das letras, há a designação, que as divide entre "mãe", "elementar" e "dupla"; aliás, as únicas letras "mãe" são Alef, Mem e Shin, que ensino no primeiro grau), a sede do desenvolvimento do ser.
A Profecia do "Quinhentos e Dez e Cinco" 286
A abundância de interpretações 287
Aqui se poderia dizer "abundância de traduções": Bonnell fornece três delas para o Canto 33 do Purgatório, versos 40 a 45. Vou deixar para quem estuda mais uma, transcrita da versão brasileira: Vejo o porvir e a voz minha assevera / O que propínquos astros anunciam: / Nada os estorva, nem seu curso altera. / Um quinhentos dez cinco prenunciam, / Que o céu manda a punir a depravada / E o gigante: ambos juntos delinquiam.
Uma interpretação mais esotérica 291
Acredite se quiser, Bonnell propõe aqui uma quarta tradução dos mesmos versos… e o que pensei ele coloca por escrito: Não se trata de forçar um "significado" a qualquer preço, o que seria uma traição (eu, que já fui tradutor, conheço bem o "traduttore-traditore"), mas de tentar comungar com as palavras…
O Quinhentos e dez e cinco, à luz da Cabala 294
"Cinquecento"... 294
"Diece..." 294
"... e cinque" 295
"Cinquecento e Diece e Cinque" no 9.347o verso da Divina Comédia? 295
Beatriz, como a Sibila 296
Capítulo V O Simbolismo Sagrado dos Sítios nos três Mundos da Divina Comédia
Na página 315 se encontra uma figura chamada A remontada da Árvore da Vida: as sefirot e os céus correspondentes.
ATO V: A Árvore da Ciência do Bem e do Mal, as transformações e desaparecimento do Carro, nos Cantos XXXII e XXXIII 363
Algo engraçado nos meus comentários: menciono mais as citações de Bonnell de outros autores do que ele próprio… Aqui: Corinne Heline dedicou-se a descrever a mensagem oculta da Bíblia, pesquisando o significado oculto das Santas Escrituras à luz da sabedoria antiga, em uma obra de sete volumes (Québec, Canadá, 1992). (Corinne): O fato de ter comido do fruto da árvore do bem e do mal despertou o Homem para a existência do Mundo físico. (…) A imaginação começou a funcionar no plano material; ela imaginou objetos físicos no exterior de si mesma. Gradativamente, o centro da consciência passou do plano espiritual para o plano material; ele caiu. A gratificação dos sentidos fez então seu aparecimento, o que introduziu a doença e a morte na experiência humana. Legal que essa autora (e Bonnell, por tabela) divulgue isso que era segredo, já que a ordem agora é revelar os segredos. Essa descrição de Corinne decodifica também O Livro do Esplendor quando este fala da introdução da morte nesse episódio. Um pouco mais adiante (…)ela escreve: Antes da Queda, a vida tinha consciência universal. Cada criatura viva sabia que era inseparável das outras. Como tudo que existia fazia parte do Um indivisível, ignorava-se o medo, pois nada havia a temer.
O Sítio do Paraíso, as Hierarquias Celestes e a "remontada" da Árvore da Vida 375
Os arquétipos naturais dos Sítios: Florestas, Pico, Colina, Montanha, Vales, e Portas 451
Os elementos em todos os seus estados, nos Três Mundos 460
Matéria-Prima e Alquimia 473
Capítulo VI   Sob o véu dos Versos Estranhos, ou… A Alquimia Operativa da Divina Comédia
"Arte Magna" (Ars Magna), "Arte Real"   476
Seria inútil querer separar a Grande Obra Física e a Grande Obra Mística ou Espiritual.
Três mundos, três fases da Grande Obra 481
Paul Valéry (…): O espírito está à mercê do corpo, como os cegos estão à mercê dos que enxergam. E os hermetistas vão ainda mais longe quando dizem que a Matéria é do "Espírito coagulado", o que conduz inevitavelmente a uma Matéria "perfeita", se o Espírito se afina com os planos superiores, ou a uma Matéria pervertida, se o Espírito está pervertido.   Mais uma vez cito por tabela outros autores, via Bonnell autor. Nesse capítulo, ele abertamente declara que utiliza a estrutura da obra de Jacques Breyer Dante Alchimiste —Interprétation Alchimique de la Divine Comédie (Dante Alquimista —Interpretação Alquímica da Divina Comédia), França, 1957. De fato, inúmeras vezes ele vai citando passagens desse autor.
A Obra em Vermelho e os derradeiros estágios da Grande Obra, nos 33 Cantos do Paraíso 491
Notamos que o Ouro puro é esverdeado e opaco. Acho que por três vezes Bonnell menciona ouro puro "opaco". Por ouro puro eu entendo o de 24 quilates (ouro 1.000). A melhor palavra (ou melhor tradução, sr. Fulvio?) seria fosco, que significa sem brilho (opaco significa que não deixa passar a luz, ao contrário do transparente). Sim, o ouro puro que eu já vi não lembra o ouro que parece espelho, mas não deixa de ter aquele brilho que é propriedade típica dos metais. Já a cor verde que Bonnell quer associar ao ouro puro não tem nada a ver —para mim é "forçar significado", para usar a expressão do livro. A evidência que me apóia: Bonnell religioso, pois, no parágrafo seguinte, ele diz: Vimos que, por meio do Ouro impuro, Dante condena a utilização pervertida da Alquimia.  Bonnell certamente se refere à energia original das Sefirót que, por emanação e distorção, acaba servindo para o egoísmo, a guerra (nesse trecho ele acabava de citar Oswald Wirth, "Les Mystères de l'Art Royal, rituel de l'adepte", Paris, 1993, ou seja, Os Mistérios da Arte Real, ritual do Adepto, onde este diz que o bronze e o ferro são mortíferos nas lutas entre humanos) e também a indignidade. Afinal, como diz Pitágoras, "a substância do Universo é a mesma em todas as coisas". E como eu digo: Deus não tem religião. Acima já me referi a isso: me desgosta a questão religiosa; e as sefirót são um assunto complicado na Cabala —por isso mesmo as deixo para o fim do K1.
Capítulo 7 Os Arcanos da Divina Comédia ou os Símbolos Maiores das Forças e dos Seres em Presença na Grande Aventura da Transmutação Espiritual  503
ng merece um capítulo com esse título confuso! Acho que poderá esclarecer o seguinte trecho da p. 527: (…)por meio da corrente de transmissão dos Sábios, daqueles que Oswald Wirth chama de "Superiores Desconhecidos"… que vem logo em seguida à transcrição dos versos 67 a 72, finalzinho da Divina Comédia: Ó soberana claridade que te elevas / Tão acima dos conceitos mortais / Concede a minh'alma um pouco de tua semelhança, / E faz a minha língua tão galharda / Que possa, à futura gente, / De tua glória deixar uma centelha. Confronte com a v. brasileira: Flama excelsa, que o humano pensamento / Excedes tanto, oh! presta ao meu, piedosa, / Um pouco de inefável luzimento. / E a língua minha faz tão poderosa, / Que uma centelha só da tua Glória / Aos pósteros transmita venturosa;
[p.515]Bonnell torna a citar Wirth:
Em termos de Alquimia, o Iniciado deve descobrir em si mesmo a "matéria-prima" do sábio, que é a Luz. É por isso que eu chamo essa "matéria-prima" de "energia-prima". É o que descreve Oswald Wirth: A matéria-prima dos Sábios faz alusão a essa claridade difusa em todos os lugares, mas que somente é percebida pelso filósofos herméticos. (…) Tudo, na Iniciação, depende, portanto, do que conseguimos ver interiormente. As provas não têm outro objetivo senão nos colocar em estado de ver a Luz. Eu tenho ensinado que essa Luz é a dos seres de Luz, a Luz criada no primeiro dia da Criação, porque a Luz é um ser (herança sefardita). A Secura refere-se à "prova do deserto" e também é o símbolo da "esterilidade". A esterilidade é uma das emanações transpostas ou contrárias (à emanação fertilidade), que faz par, segundo Salomão, com a emanação contrária "morte" (contraposta à "vida"); observe que tem tudo a ver com deserto; e sobre o "deserto", consulte no Orkut o cabalista que tem o pseudônimo de Paul Muad'Dib, personagem principal do filme "Duna" ("Dune"), cujo roteiro é cabalista e do grande autor Frank Herbert (1920-1986), que chegou a vender 20 milhões de exemplares antes de se tornar filme. A história se passa no deserto do planeta Duna. Saiba, prezado(a) aluno(a), que para ter contato com D'us é preciso que vc cruze o deserto (tal como no Êxodo); e para cruzar o deserto vc precisa se desapegar (deixe as coisas materiais que não fazem parte de vc e de sua viagem peregrina). Assim diz João Guimarães Rosa (1908-1967) na p. 356 de "Grande Sertão: Veredas": "Deus é uma plantação. A gente — e as areias."
[p.516]Canto 9, 121-126: Quando uma destas chaves falha / E não gira direito na fechadura, / "Essa passagem", disse ele, "permanece fechada. / Mais preciosa é uma; mas para a outra / É preciso arte e habilidade antes que abra / Pois ela é aquela que desata o nó. Aparentemente, é uma mensagem enigmática. V. brasileira: “Se emperrada das duas uma fica / E não dá volta” — disse — “à fechadura, / Isto entrada defesa significa. / “Se mais preço um tem, noutra se apura / Mais arte para abrir e mais engenho, / Das molas cede-lhe a prisão mais dura. Bonnell chama de "enigmática" mas chegou perto da solução (a que ele deu nesse trecho é para mim insatisfatória). Poucas páginas antes, na 506, ele associa, corretamente, a carta do Louco, no Tarô, a uma passagem do evangelho de Mateus. Se ele tivesse utilizado o evangelho de Tomé, tal como fez na p.21 (cujo trecho transcrevi, acima), encontraria o seguinte quanto a essa passagem: "Jesus disse: Os clérigos e os teólogos receberam as chaves do conhecimento, mas as esconderam. Não entraram eles, nem permitiam entrar os que certamente desejavam. Quanto a vós (enviar os apóstolos em missão), se façam ardilosos como serpentes e puros como pombas." Essa versão é mais completa e as chaves são: a de prata, o conhecimento perecível mas que leva ao primeiro estado de consciência superior; a de ouro, a sabedoria imperecível e que não requer raciocínio, segundo estado de consciência superior; a serpente, símbolo tradicional de sabedoria; a pomba, a elevação para o mundo invisível da Trindade Superior ou a conquista alquimista (no mundo material); "não entraram nem permitiam entrar…" significa ter as duas chaves, porém mesmo assim a pessoa não entra no reino (o estado secreto de consciência, dentro da Trindade Superior; confrontar com o estudo da Escada de Jacó, e tb com a decodificação de Ióv, i.e., O Livro de Jó 1,21 conforme "O Livro do Esplendor") porque essa mesma pessoa se tornou teóloga (teórica e falante, incapaz de ouvir o "silêncio falante") e assim não percebe que o reino está disseminado por toda parte. Para ilustrar mais o que pretendo dizer, observe a carta do Louco —essa ilustração não é a do livro, até porque ele é todo em preto e branco; julgo esse desenho mais ilustrativo que o do livro, que se encontra na p.584.

 
Bonnell chega perto da solução ao citar Oswald Wirth, logo em seguida, na p.517: (O Iniciado) deve identificar-se com o Ceifeiro do Arcano 13 do Tarô. Ele corta as cabeças do rei-Razão e da Rainha-Imaginação; mas ao ceifar ele faz surgir da terra, entre os brotos novos, mãos para agir e pés para andar. Nada somos se permanecermos imóveis, mas o nosso movimento deixa um traço luminoso… Ainda tem estudante da Academia que pergunta por que insisto na frase "nossa única herança é a imaginação; ninguém vê as coisas como realmente são", de Attar, o perfumista (século 12). Eis a carta:
 
[p.510](Canto I do Inferno, 91-99) "Precisarás de outra viagem", / disse ele vendo minhas lágrimas, "se queres / escapar desse lugar vasto e selvagem: / pois essa fera aqui, à qual temes, / não deixa homem passar por seus caminhos, / pois tão forte o ataca que ela o mata;…" O mergulho nas Trevas da Materialidade e do Inconsciente… Bonnell não se equivoca: de fato, o Inconsciente já era conhecido muitos séculos antes de Dante, conforme se ensina na minha Academia.
[p.523]Um erro: o livro diz que a carta 17 tem a letra "he", em realidade é letra "Pê" (algumas diásporas pronunciam "Fê").
Na p. 531 tem início a reprodução das cartas dos arcanos maiores do Tarô (22 cartas).
[carta 5, O Papa](…)Os túmulos chamejantes dos Hereges epicúreos. O trecho é de Dante, porém mais uma vez a religião julga: os epicúreos são os discípulos de Epicuro, condenados pelo Cristianismo, ainda que Epicuro tenha vivido por volta de 300 antes de Cristo. Como é possível condenar um filósofo que lecionava —num jardim!— uma filosofia prática e que desprezava aqueles que se escondiam atrás de "máscara"? A resposta: a ideologia cristã condena os desejos da carne, ao passo que os epicuristas ensinavam o esforço para se ter uma vida sexual saudável; ademais, o próprio Aurélio (dicionário) alerta que é errado identificar o epicurismo com o hedonismo. Sobre desejos, veja o que Epicuro ensinava no jardim: ele mandava observar os seus desejos para verificar se provinham de sua vontade interior ou se da vontade dos outros. Imagine isso hoje, com tamanha influência da mídia sobre os jovens. E ele mandava acabar com o sofrimento (tal como antes dele recomendava Pitágoras nos Versos Dourados, veja aqui mesmo no site da Academia), recomendando se concentrar nos bons pensamentos, recordando as coisas boas e assim ter um futuro livre de sofrimento.
[carta 12, o Enforcado] É o símbolo da Regeneração pela Inversão do Ser. Até aí correto. Acho que Bonnell deveria ter reduzido o que disse a respeito dessa carta quando percebo que omitiu o "Amor" que é associado à letra Lamed (a menos que ele desconheça isso); ele tem citado corretamente todos os caminhos e nesse, o vigésimo segundo, como ele mesmo conta, sai da sefirá Tiferet —que representa o coração. Omitiu mais: as duas colunas da Árvore da Vida, a esquerda e a direita, confira na carta (a minha ilustração é em cores, não é a do livro):
 
[carta 15, O Diabo]O mesmo autor (Charles Payeur), na perspectiva do Hermetismo Cristão, evoca a esse propósito (a travessia do deserto, quando se deve deixar alguns bens materiais) a primeira noite da alma a respeito da qual São João da Cruz fala que somente a Fé, a Esperança e o Amor permanecem como verdadeiros suportes para a alma aflita. Feliz citação (indireta, pois Bonnell está citando Payeur) de San Juan de la Cruz (1542-1591) e sua magistral obra-poema A Noite Escura da Alma.
[carta 16, A Casa de Deus] (…)certos tarôs a denominam "A Torre Fulminada" por enfatizar o convite feito ao Iniciado quanto às tomadas de consciência sucessivas e progressivas, por mais desconfortáveis que sejam. (…) Dante compartilha conosco muitos saltos de sua consciência.  Outra "troca de letra": 16 corresponde à letra Áyin (Haïn) e não Zayin. Essa senda denominada "Consciência da Renovação" ou "Inteligência Renovadora" abre ao Iniciado (…) evolução do Mundo e sua renovação. O vigésimo-sexto caminho é chamado Inteligência Renovadora, pela que Deus – B'Ezra Hashem! – renovou tudo o que é capaz de renovação na criação do mundo (ou: todas as coisas cambiáveis que são renovadas por um novo ciclo na criação do mundo). Compare com Nehemiá, 9:6. Borê Nefashót!
    
[carta sem número, O Louco] A consciência desindividualizou-se por completo. Tornou-se aquela de toda a Humanidade e até além, aquela do Mundo, fusionada ao Cosmos inteiro. (…) Sua missão (de Dante), de volta ao Mundo "de baixo" (…) lhe é determinado para nada omitir, pois ocultar a Verdade é pura Mentira. (…) Essa senda (31ª) denominada "Consciência Permanente"…  Faltou dizer, como Bonnell-alquimista, que essa senda é a do grande segredo, ou o segredo da Grande Obra. Por isso mesmo a carta não possui número, a fim de que seja reposicionada na primeira, na última ou na penúltima posição.
O maior dom que Deus em sua generosidade / pôde fazer ao criar, o mais conforme / à sua bondade, o dote que ele mais preza, / foi o da vontade à plena liberdade, / e pela qual os seres com inteligência, / eles todos, eles somente, foram e são dotados.
V. brasileira (v. 19 a 24 do Canto 5 do Paraíso): O mor bem que ao universo Deus doara, / O que indicara mais sua bondade / O que em preço mais alto avaliara, / Foi do querer, por certo, a liberdade, / Que a toda criatura inteligente / Há dado em privativa faculdade. Bem colocado esse trecho por Bonnell, contudo é engraçado: afinal, no 26º caminho (Torre) ele lembra que Dante era avesso a dogmas e por isso mesmo chegou a ser tachado de herege; esses versos se contrapõem ao ambiente religioso de Dante e à religiosidade do analista Bonnell: para mim toda religião é boa, desde que não tolha —a liberdade individual, claro. Interpreto aqui que o sentido dessa liberdade é para o crescimento interior.
O Ciclo Iniciático da Semana Santa e da Páscoa, e Além, A Sincronicidade entre as Santas Escrituras e a Divina Comédia   591
Metamorfose   600
Um poema do autor, R.B. (Robert Bonnell). Esse cara existe? Ou é um pseudônimo? Diferentemente de outros livros iniciáticos, sim, ele existe: encontrei no site da Universidade do Símbolo, França, o anúncio de uma palestra sobre Simbolismo Iniciático que ele deve ter dado, anos atrás. Bonnell foi apresentado como escritor, conferencista, realizador e autor, claro, de "Dante, le grand initié".
Conclusão e Perspectiva — Uma Busca e Símbolos para o século 21   601
Interessante análise que culmina com um colofão assinado pelo autor (R.B.) apontando o ano 2000, numa quarta-feira, 2 de fevereiro, que para mim simboliza o mundo que acabou, começou um novo, e as pessoas só perceberão isso pouco a pouco, à medida que nós, obreiros da Grande Obra, trabalharmos a parte instrucional da Grande Obra.
Anexo : Indicações sobre as Chaves Essenciais a respeito do Hermetismo Cristão   605
Bibliografia   619
Não fui o único a comentar esse livro! Aparentemente um jovem, comentou também (em francês) no site http://www.bouddha.ch/, em 6 de outubro de 2002, cujo link saiu do ar em 2008.
"Dante, o grande iniciado" é um bom curso de Tarô, o autor é atualizado em Alquimia (pois esta passou por inúmeras modificações) e se baseia em farta bibliografia. Para mim não haveria necessidade de demonstrar Dante como um dos realizadores da Grande Obra, pois em 1618, o médico Mylius de Wetter publicou a lista dos alquimistas até então: o patrono da língua italiana foi o 31° na Humanidade, no seu livro de 3 mil páginas (!) Opus medico-chymicum, onde Dante ganhou a seguinte frase representativa de seu trabalho alquímico: "Prepara e dissolve os corpos e efetua com a água uma embebição dos espíritos lavados". Embebição é, em física e química, a penetração do líquido em um sólido poroso, tal como por capilaridade. Enfim, Bonnell de fato acrescenta chaves à interpretação da obra máxima da literatura italiana!

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